AIA2009
Tudo sobre a Astronomia

Galileu Galilei

Galileu Galilei nasceu no dia 15 de Fevereiro de 1564 em Pisa. É filho de Vincenzio Galilei e de Giulia Ammannati di Pescia, e os seus antepassados pertenciam à alta sociedade de Pisa, apesar de a    família tivesse em decaído economicamente, conseguiam manter o prestígio  graças às boas tradições familiares que conservara e às boas relações de amizade  com os membros da alta aristocracia.

Galileu em 1581 iniciou os seus estudos de Medicina na Universidade de  Pisa (possivelmente a conselho de seu pai, desejoso que o seu filho renovasse o  prestígio de um dos seus antepassados que tinha sido um medico muito famoso). Como a orientação escolástico-galência do ensino da universidade não satisfazia as  esperanças de Galileu, este abandona a universidade e os estudos médicos e  transfere-se para a universidade de Florença para estudar matemática, mecânica e  hidrostática, onde sob a orientação de Ostílio Ricci (professor de matemática na  Escola de Belas Artes) descobre a sua inclinação. Foi nesta altura que inventou a  balança hidrostática, cujo mecanismo descreveu no breve tratado “La bilancetta”,  publicado em 1644.

Em 1589, Galileu com o apoio de Guidobaldo del Monte (matemático e admirador da sua obra) é admitido para leccionar matemática na Universidade de Pisa como clérigo e é aí que inicia o estudo do movimento do pêndulo (sendo o primeiro a pensar que este fenómeno permitiria fazer relógios muito mais precisos, e chegou já no final da sua vida a trabalhar no mecanismo de escapo que mais tarde originaria o relógio de pêndulo). Também foi em Pisa, que Galileu realizou as suas famosas experiências de queda de corpos em planos inclinados.

Em 1592, ainda sob a influência de Guidobaldo del Monte, consegue a cátedra de matemática na Universidade de Pádua, onde passaria os 18 anos seguintes “os mais felizes da sua vida”. Nesta universidade ensinou geometria, mecânica e astronomia.

Tendo sabido, a partir de um folheto, da construção do primeiro telescópio na Holanda, Galileu começa a construir os seus próprios modelos que vai melhorando até conseguir os melhores telescópios do seu tempo. Ele utilizava o telescópio, sobretudo, para fazer observações astronómicas e descobre: que a Via Láctea é composta de miríades de estrelas, os satélites de Júpiter (que o levaram a defender o sistema heliocêntrico de Copérnico, e as montanhas e crateras da Lua.

Estas descobertas levaram a que ele ficasse muito conhecido. E então Galileu sai de Pádua e regressa a Florença. Em 1611 foi convocado a Roma onde apresentou as suas descobertas ao Colégio Romano dos Jesuítas, onde se encontrava o futuro Papa Urbano VIII, de quem ficou amigo, e o cardeal Roberto Bellarmino, que reconhece as suas descobertas. No mesmo ano acede à Accademia dei Lincei.

Em 1614 estuda métodos para determinar o peso do ar, descobrindo que pesa pouco, mas não zero como se pensava até então.

Entre 1613 e 1615 escreve as famosas cartas copérnicas dirigidas a Benedetto Castelli, Pietro Dini e Cristina di Lorena, onde descreve as suas ideias inovadoras, que geram muito escândalo nos meios conservadores em que circulam, apesar de nunca terem sido publicadas ficando assim uma divisão de apoiantes e de opositores nas duas principais universidades clericais da Itália.

Em 1616 a Inquisição (Tribunal do Santo Ofício) pronunciou-se sobre a Teoria Heliocêntrica declarando que a afirmação de que o Sol é o centro imóvel do Universo era herética e que a de que a terra se move estava “teologicamente” errada, contudo nada fora pronunciado a nível científico. Foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física, mas era permitido referir-se a este como hipótese matemática. Galileu é então chamado a Roma, novamente, para expor novos argumentos, tendo assim, a oportunidade de defender as suas ideias perante o Tribunal do Santo Ofício dirigido por Roberto Bellarmino, que decidiu não haver provas suficientes para concluir que a Terra se movia e que por isso admoestou Galileu a abandonar a defesa da teoria heliocêntrica excepto como ferramenta matemática conveniente para descrever o movimento dos corpos celestes. Tendo Galileu persistido em ir mais longe nas suas ideias foi então proibido de divulgá-las ou ensiná-las.

Apesar das admoestações, encorajado pela entrada em funções em 1623 de um novo Papa Urbano VIII, seu amigo pessoal e um espírito mais progressivo e interessado nas ciências do que o seu predecessor, publicou nesse mesmo ano Il Saggiatore (O Analisador), dedicado ao novo Papa, para combater a física aristotélica e estabelecer a matemática como fundamento das ciências exactas. Nele coloca em causa muitas ideias de Aristóteles sobre movimento, entre elas a de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves. Galileu defendeu que objectos leves e pesados caem com a mesma velocidade na ausência de atrito, diz-se que subiu à torre de Pisa e daí lançou objectos com vários pesos, mas essa história nunca foi confirmada. Este livro era também a reposta a uma polémica que mantinha com o jesuíta Orazio Grassi que defendia o modelo cosmológico de Tycho Brahe segundo o qual a Terra estava fixa no centro do Universo, mas os planetas e outros astros giravam em torno do Sol, que por sua vez girava em torno da Terra. Orazio Grassi defendia também que os cometas eram corpos celestes, o que é correcto, enquanto Galileu defendia erroneamente que eram produto da luz solar sobre o vapor atmosférico.

Galileu, incentivado pelo Papa Urbano VIII, continua os seus estudos sobre o heliocentrismo (mas sempre como uma hipótese matemática útil pois simplificava os cálculos das órbitas dos astros e significavam um grande avanço cientifico, para a qual ninguém estava preparado) e escreve Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo (Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo), onde defende o sistema heliocêntrico e a utiliza como prova a sua teoria incorrecta das marés. Esta obra foi seminal ao processo da Inquisição contra Galileu. O Papa tinha sugerido a Galileu escrever um livro em que os dois pontos de vista, o heliocentrismo e o geocentrismo, fossem defendidos em igualdade de condições e aceitou dar-lhe o Imprimatur, se assim fosse o livro. Quando terminou a obra em 1630, Galileu viaja a Roma para apresentá-la pessoalmente ao Papa (que estava muito ocupado faz apenas uma leitura brevíssima e entrega-a aos censores do Vaticano para avaliação, que demorou 2 anos).

O Papa sentiu que a aceitação do modelo heliocêntrico como ferramenta tinha sido ultrapassada e convocou Galileu a Roma para ser julgado, apesar de este se encontrar bastante doente. Após um julgamento longo e atribulado foi condenado a abjurar publicamente as suas ideias e a prisão por tempo indefinido. Reza a lenda que, ao sair do tribunal após sua condenação, disse uma frase célebre: “Eppur si muove!“, ou seja, “contudo, ela se move”, referindo-se à Terra.

Em 1638 quando já estava completamente cego publicou Discorsi e Dimostrazioni Matematiche Intorno a Due Nuove Scienze (a sua obra mais importante) em Leiden, Holanda, onde discute as leis do movimento e a estrutura da matéria.

Galileu Galilei, na verdade, morre em Arcetri rodeado pela sua filha Maria Celeste e os seus discípulos, de forma piedosa e de fé exemplar. É enterrado na Basílica de Santa Croce em Florença, onde também se encontram Machiavelli e Michelangelo, o que prova que a primeira condenação não poderia ter sido a de culpa de heresia mas a de somente “heresia formal”.

No decorrer dos séculos a Igreja vai revendo as suas posições no confronto com Galileu e em 1846 são removidas todas as obras que apoiam o sistema coperniciano.

Em 1992, mais de três séculos passados da sua condenação, é iniciada a revisão do seu processo que decide pela sua absolvição em 1999. Contudo a revisão da condenação não tem nada a ver com o sistema heliocêntrico porque esse nunca foi objecto dos processos.

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